Em um projeto inspirado pelo universo equestre, a arquiteta Taynara Wazilewski propõe uma reflexão sobre a arquitetura contemporânea: como criar espaços capazes de atravessar o tempo sem abrir mão da sofisticação, do acolhimento e da conexão com a paisagem?
A resposta está na Casa Ecuestre, ambiente apresentado na CASACOR Bolívia 2026 com mais de 200m² de área construída, onde cada decisão de projeto foi conduzida por um mesmo princípio.
O projeto propõe uma leitura contemporânea da casa de campo, substituindo o ar rústico tradicional por uma arquitetura de linhas elegantes, integração com a paisagem e uma atmosfera de acolhimento que valoriza a simplicidade sem abrir mão da sofisticação.
O conceito nasce de uma premissa clara: criar uma casa capaz de atravessar o tempo. Não apenas pela durabilidade dos elementos que a compõem, mas pela capacidade de permanecer atual, funcional e agradável de viver. A relação entre interior e exterior acontece de maneira integrada, onde a paisagem é incorporada aos ambientes, enquanto a privacidade é preservada por soluções que filtram a luz e enquadram as vistas.
Transformar esse conceito em realidade, no entanto, exigia decisões que iam além do desenho arquitetônico. Em uma mostra como a CASACOR, onde o cronograma é reduzido e cada etapa precisa acontecer com precisão. Construir bem significa encontrar soluções capazes de preservar a intenção da arquitetura do início ao fim da obra.
Essa não era a primeira vez que Taynara enfrentava esse desafio. Em 2023, durante sua primeira participação na mostra em parceria com a Talt, a arquiteta precisou especificar um produto que ainda não conhecia pessoalmente. Sem tempo para receber amostras, escolheu cor e acabamento a distância, confiando em referências e fotografias. O resultado superou as expectativas e marcou o início de uma parceria que se fortaleceu a cada novo projeto.
“Não dava tempo de enviar amostras e fazer o pedido do material dentro do prazo… depois de umas três madrugadas olhando fotos na internet, finalmente decidi a cor que iria usar. Quando o material chegou na Bolívia, fiquei muito aliviada e feliz, porque era realmente lindo! E foi um sucesso! A foto do Loft Terra Rossa, que foi o espaço daquele ano, até hoje aparece em muitos lugares”
conta a arquiteta.
Foi essa experiência que orientou as escolhas para a edição de 2026. Desta vez, o desafio não era apenas repetir um resultado bem-sucedido, mas ampliar as possibilidades do projeto. A integração entre teto, fachada e elementos de proteção solar permitiu explorar uma mesma linguagem arquitetônica em diferentes planos da residência, preservando a unidade visual que guiava toda a proposta.
“O Teto Vinílico foi aplicado tanto nos forros quanto em algumas paredes, levando o aconchego da madeira para todo o interior da casa. A tonalidade marrom escolhida reforça a sensação de elegância e atemporalidade, além de dialogar diretamente com o universo equestre, que transmite uma estética limpa, refinada e muito bem alinhada. Nas paredes, a escolha do revestimento também foi fundamental porque o material permitiu acompanhar as superfícies curvas do projeto com acabamento uniforme, preservando a fluidez da arquitetura e valorizando um dos principais elementos do design.”
“O ripado foi utilizado em toda a fachada, criando dinamismo em uma composição totalmente revestida. Seu desenho gera um interessante jogo de luz e sombra ao longo do dia, conferindo movimento e profundidade à arquitetura. Além do aspecto estético, a tecnologia do material garante alta durabilidade, sem desbotamento e com necessidade mínima de manutenção, características essenciais para o conceito do projeto.”
“Já o brise, utilizado na mesma tonalidade do ripado, trouxe transparência em pontos estratégicos, sem comprometer a privacidade. Na entrada da residência, por exemplo, ele permite a passagem da luz natural enquanto mantém a porta principal discretamente oculta. O mesmo acontece nas portas sanfonadas da grande esquadria de vidro da área social: quando fechadas, elas filtram a luz, preservam a ventilação e garantem privacidade, sem isolar completamente os ambientes da paisagem externa.”
Mais do que diferentes aplicações, o projeto demonstra como soluções distintas podem atuar de forma complementar, construindo uma arquitetura coesa do primeiro olhar aos detalhes finais.
Essa integração também revela outra característica da arquitetura contemporânea: beleza e desempenho já não podem ser tratados como atributos separados. Um projeto de alto padrão precisa oferecer liberdade criativa, mas também simplificar processos e proporcionar uma experiência de uso que permaneça relevante com o passar do tempo.
“É possível criar espaços acolhedores, com materiais que remetem ao natural, mas que ao mesmo tempo oferecem praticidade e durabilidade. O projeto busca mostrar que podemos aproveitar o que temos de mais precioso, que é o tempo, vivendo uma casa aconchegante e sofisticada, sem a preocupação constante com manutenção.
reforça Taynara.
É essa combinação que dá sentido ao conceito de Casa Talt.
Não como um padrão estético ou uma assinatura da marca, mas como uma forma de pensar a arquitetura: inteligente, sofisticada e preparada para permanecer relevante ao longo do tempo.
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